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Tudo que eu já fui (ou quis ser) um dia
Tudo que eu já fui (ou quis ser) um dia "Eu sou uma descrição. Sou o que meus amigos acham de mim, mesmo quando eles estão errados. Eu sou as impressões que eu deixei e deixo por aí. Eu sou o que eu ouço, o que eu falo, o que eu acredito. Eu sou feito do que eu como! De arroz, feijão, tomate, abobrinha, cebola, alho, azeite, carambola, pimentão... Eu sou só isso: comida digerida e reorganizada com um pouco de ar e água. Sou um conjunto organizado de células. Sou também uma manifestação da consciência do Universo e de sua organização. Sou mais uma pessoa agindo e interagindo com o (in?)consciente coletivo. Sou o que eu sonho, o que eu penso. Sou transiente e infinito. Sou mais um ponto numa rede de fluxos intensos de comunicação. (Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.) Sou uma conseqüência da minha própria história. Sou um banco de dados organizado. Sou um conjunto organizado de um "nonilhão" de partículas vibrando a altíssima velocidade, cada qual confinada num espaço quase insignificante. Sou energia. Eu sou música! Eu estou em todos os níveis e em nenhum. Eu sou a memória cósmica de bilhões de anos de evolução do universo. Eu sou os meus amigos. Eu sou meus pais. Eu sou uma aglomeração bioquímica organizada de substâncias. Sou um conjunto organizado de órgãos. E tudo foi feito pelo Sol! Eu sou o que eu percebo, e todas as portas abertas e fechadas da minha percepção. Eu sou você. Eu não sou você."
Escrito por Laerte Késsimos às 09h54
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