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Babenco e Gael
Copiei lá do Blog do Mário Bortolotto http://atirenodramaturgo.zip.net/
ATORES
"Não há nenhum ator brasileiro à altura de Gael".
(Hector Babenco)
Puta frase infeliz. Sem querer desmerecer o inegável talento do jovem ator Gael Garcia Bernal, repito: Puta frase infeliz. Esse diretor aí que é argentino, mas que fez a vida no Brasil à custa de dois bons filmes (Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia e Pixote) e de muita mediocridade na sequência até culminar no abjeto "Carandiru" é sem dúvido um sujeito muito mal educado. Ele podia ter dito : "Gael é o meu ator preferido" ou até "Gael é o melhor ator de sua geração", algo do tipo que quer dizer a mesma coisa, mas sem a ofensividade toda contida na frase acima, mas ele conseguiu ser estúpidamente mal educado ao dizer a referida frase (está na capa da Set desse mês). Ele que sempre trabalhou e usufruiu do talento dos atores brasileiros, dizer uma merda dessa? Acho que se os atores brasileiros tivessem culhão se recusariam a trabalhar com esse cara daqui pra frente, mas é claro que isso não vai acontecer. Eu não sei o que acontece, mas o cinema exerce um fascínio absurdo sobre os meus colegas de trabalho. E a maioria deles não consegue dizer não. Lembro desse sujeito lá no Festival de Paraty, desfilando com uma empáfia assustadora. Lembro do seu olhar pedante e do seu jeito de "grande cineasta" contrastando com a humildade de um Paulo José por exemplo (esse sim, um gênio em tudo o que fez). O Cara dia desses atacou o filme do Zé Padilha (Tropa de Elite) que é um filmaço forte pra caralho, com nítida inveja já que o seu "Carandiru" que devia ser tão forte quanto, não passa de um produto que pode muito bem passar na Sessão da Tarde. Eu diria que até parece que foi produzido pelos Estúdios Disney, de tão inofensivo que é. E os atores brasileiros são tratados dessa maneira por esse sujeito. Os atores brasileiros que sempre trabalharam com ele e que devem voltar a trabalhar. É uma pena. Mas o que fazer, né?
Ontem tava assistindo um episódio da Segunda Temporada de "Roma" e em dado momento o arauto vai pro meio da praça anunciar o funeral de Júlio César, aí ele solta essa:
"Prostitutas, atores e mercadores sujos não podem comparecer".
Mudou muito de lá pra cá? Hoje os atores aparecem na Caras e dão entrevistas no vídeo show, e por isso acham que está tudo muito diferente. Eu só posso dizer uma coisa: se os atores não se conscientizarem e não se valorizarem, vão ser sempre tratados como escória, e só nós podemos mudar isso.
Escrito por Laerte Késsimos às 12h40
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Alberto e Paulo
Posto aqui o texto que li representando o Guzik ontem a noite na homenagem a Paulo Autran.
"Gostaria muito de estar aqui esta noite, nesta homenagem, que não deveria ser póstuma e na qual eu estava escalado para fazer um balanço crítico da vitoriosa carreira de Paulo, que eu acompanhei ao longo de quase cinqüenta anos. Mas tenho de estar longe daqui, da praça. Estou do outro lado da cidade, em um hospital, cuidando de alguém que amo. Mas meu coração está aqui. Quero contar só uma historinha: hoje cedo, no debate sobre dramaturgia que fizemos aí no Satyros 1, do outro lado da rua, e do qual eu era mediador, a discussão foi das boas, como não poderia deixar de ser com Fernando Bonassi, Rubens Rewald e Antônio Rocco. Quando acabamos a conversa de acalorados 90 minutos, eu pedi aos integrantes da mesa e da sala uma salva de palmas para Paulo Autran, que estava sendo cremado naquele momento. As pessoas que lotavam o bar dos Satyros, com gente sentada no chão, levantaram-se e aplaudiram com um calor e uma intensidade e uma beleza que ainda ecoam em meus ouvidos. Sei que aqueles aplausos estão se repetindo em todo o Brasil e vão se repetir aqui, agora. E é isso que Paulo merece: muitos aplausos, por tudo que ele fez, por tudo que ele significou. Eu sou um privilegiado por ter podido acompanhar a carreira de Paulo tão de perto e por tanto tempo, de ter escrito com ele um livro sobre sua vida que ganhou o Jabuti de 1999 como melhor livro-reportagem. Obrigado por tudo, Paulo, de coração, muito obrigado. Alberto Guzik"
Escrito por Laerte Késsimos às 11h50
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