Loading...
UM BLOG VISCERAL E LATENTE
Esse é o nome do Blog de Guilherme Genestreti, de onde peguei esse texto sobre o espetáculo INOCÊNCIA. http://visceralelatente.blogspot.com/
A Culpa dos Inocentes - Sobre "Inocência" dos Satyros
Ontem, dia 19 de janeiro, eu fui ao Espaço dos Satyros para assistir “Inocência” pela segunda vez. Tive a idéia de dedicar aqui um espaço à peça que é mais um grande trabalho desta Companhia cujas apresentações eu venho acompanhando já há um bom tempo. Eu me apaixonei por “Inocência” em particular.
À primeira vista, a montagem incendeia nossos olhos e ouvidos com a beleza intensa da cenografia utilizada e com a poesia contida em cada frase proferida. Sentimos como se tivéssemos sido transportados para um ambiente onírico repleto do mais puro lirismo. Por trás disso, a angústia pulsa em cada personagem: entram em cena a culpa, a solidão, o vazio existencial, a ausência (ou não) de Deus, a agonia de suportar o fato de nossas vidas possuírem um fim irremediável. No espetáculo, tudo ocorre como se estivéssemos diante de um fruto envenenado, revestido da mais bela casca. Cada momento consegue a proeza de ser lindo e pesado ao mesmo tempo.
No seu cerne somos testemunhas dos dilemas dos imigrantes ilegais, às voltas com o peso da culpa por não terem impedido um suicídio e com o misterioso acaso revelado na bolsa de dinheiro. Também encontramos o desespero da mãe solitária; a frieza da filósofa já descrente com a falta de respostas pelas ciências humanas; a paixão mórbida do agente funerário Franz; a diabética que vive para esperar a morte; o casal que se atira do arranha-céu no interessante diálogo sobre a eternidade; a beleza resignada da dançarina Absoluta...
Nesta colcha de retalhos existenciais em que desfilam os personagens, nos vemos a todo o tempo cercados por um azul intenso, um azul que nos remete invariavelmente a sensações de infinito: O azul das rosas, o azul do nome do lugar em que trabalha a dançarina, o azul do céu eterno, do mar infinito em que morre afogada a suicida.
Terminada a apresentação, fico aqui divagando que Os Satyros conseguem com perfeição ilustrar a minha própria concepção do teatro como arte impulsionadora, como engajamento que não é diversão ou puro deleite visual, mas sim um instrumento eficaz de questionamento que sente a urgência de pôr fim à alienação, mesmo que com isso precise dar socos nos estômagos da platéia. Por trás da cortina de uma linda delicadeza, “Inocência” me ilumina um coração cheio de angústia, um coração “demasiado humano”.
“Inocência” da dramaturga Dea Loher é a existência-limite de quem mergulha inexoravelmente na vida e acaba tendo que encará-la de olhos escancaradamente abertos. Mesmo na mais escura cegueira.
 (CRÉDITOS: Fotos de Lenise Pinheiro, cedidas gentilmente pelo Laerte Késsimos)
ALIÁS: Recém lançado pela Coleção Aplauso, “Os Satyros: Um Palco Visceral”, escrito por Alberto Guzik (o ‘Helmut’ da peça), conta a história dessa Companhia. E numa rápida busca no site dos Satyros encontrei uma resenha escrita por Mariângela Alves de Lima intitulada: “Inocência, a dor de viver em estado latente”. Coincidência engraçada a conjunção dessas duas palavras - visceral e latente – a mesma que por efeito do acaso nomeia o meu blog.
Escrito por Laerte Késsimos às 00h42
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Loading...
So Sad
Andei um pouco tristonho essa semana. Sem sequer saber direito por que estava triste. Quanta belzeza pode exister na tristeza? Ai num desses dias a tarde fui passear no cemitério aqui perto de casa. "O da consolação". Durante o passeio resolvi tirar unas fotos com meu celular. Meio escondido por que na verdade precisaria de uma autoriazação para fotografar. Capturei minha tristeza. Tranformei. Como quem colhe durante a tempestade forte.
 escultura de brecheret
Escutando Bauhaus:
"... Baleful sounds and wild voices ignored Ill luck disaster the one reward Violated sanctity of supermen's hills So sad, love lies there still Sooo saaaad Sooo saaaaaaaad Hollow hills Hollow hiiiiiiiiiills..."


 outra escultura de brecheret


Escrito por Laerte Késsimos às 00h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|