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Multiplicando
Um é pouco? Sim. Dois é bom? Não. Três é demais? Não para esse time de atores. Cada um vive, no mímino, três personagens num mesmo espetáculo
Erika Riedel
 foto: Lenise Pinheiro
Eles acham que fazer apenas um personagem na peça não chega a ser um desafio. Dois? Um pouco mais difícil, algumas falas a mais, novos trejeitos, mas, ainda assim, uma tranqüilidade. Para cinco atores em cartaz na cidade, as dificuldades só aparecem quando eles vivem ao menos três papéis - e se viram muito bem em todos.
Márcio Cardoso, da Cia. Retratos, está em Retratos & Canções. O ator leva a platéia às gargalhadas com sua atuação. Os figurinos contribuem na composição dos quatro personagens divertidos que interpreta: um apresentador de programa de auditório, um guarda, um garçom e um padre. Caso típico de múltipla personalidade.
Laerte Késsimos e Soraya Saide, do grupo Os Satyros, podem ser vistos em A Vida na Praça Roosevelt. Além de participar de várias cenas coletivas, Késsimos dá vida a um operário ingênuo e logo depois a uma travesti. A transformação é tão radical que o público pode não se dar conta de que é o mesmo ator.
A única representante feminina, Soraya Saide encanta a platéia em quatro diferentes momentos. Ao lado de Késsimos, como amigo do operário, num trabalho de clown que ela domina com maestria (ela é uma das 'médicas' dos Doutores da Alegria). A atriz ainda interpreta um sem-teto, uma sofrida mãe que perdeu a filha e a cantora Dalva de Oliveira. São os coadjuvantes que roubam a cena.
Marco Antônio Pâmio e Rubens Caribé dividem a cena em Pedras nos Bolsos. Os dois se multiplicam em 15 diferentes papéis principais e secundários, femininos e masculinos, tipos sérios e caricatas. Nos primeiros cinco minutos é até difícil acompanhar a rapidez das mudanças já que o figurino não muda. Mas depois disso é um prazer. As vozes e os trejeitos são impagáveis. Mereciam um prêmio de melhor uso da imaginação do público. Não perca! |