Laerte e o Mundo - Blog do Laerte Késsimos


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Final de Semana de Folga...

Pois é, depois de muitos finais de semana viajando pelo interior do estado com o espetáculo “A Vida na Praça Roosevelt”,  esse final de semana não vou viajar. Finalmente tenho um final de semana de folga!? Não.

 

Sábado irei participar do projeto “Autores em Cena” do Itaú Cultural.

É um projeto onde escritores, poetas, prosadores e dramaturgos irão ao palco ver pessoalmente com quantos paus se faz um personagem (ou algo parecido ou próximo disso). O projeto começa hoje e vai até domingo.

 

Rodolfo García Vázquez irá dirigir a leitura de poemas do Chacal. Ivam Cabral, Cléo De Páris, João Balda e eu faremos uma participação especial na leitura.
E nas outras apresentações, os destaques são: Alberto Guzik dirigindo Micheliny Verunschk, Marcelino freire dirigido por heron coelho, a Fernanda D'umbra dirigindo a Índigo e Ivana arruda leite (essa eu não perco por nada), o Marcelo montenegro dirigido por Mário Bortolotto. Confira a programação completa ai abaixo.

 

a(u)tores em cena

 

ilustração: jader rosa/itaú cultural

 

espetáculo a(u)tores em cena

sexta 12 19h30
I ato - marcelo montenegro, poeta, dirigido por mário bortolotto
II ato - cíntia moscovich, prosadora, dirigida por irene brietzke

sábado 13 19h30
I ato - chacal, poeta, dirigido por rodolfo garcía vasquez
II ato - marcelino freire, prosador, dirigido por heron coelho

domingo 14 19h30
I ato - micheliny verunschk, poeta, dirigida por alberto guzik
II ato - índigo e ivana arruda leite, prosadoras, dirigidas por fernanda d'umbra
III ato - fernando bonassi, prosador, dirigido por lucienne guedes

evento recomendado para maiores de 14 anos

 

sala itaú cultural 255 lugares

[ingresso distribuído com meia hora de antecedência]

itaú cultural

avenida paulista 149 são paulo sp

[estação brigadeiro do metrô]



 Escrito por Laerte Késsimos às 10h34
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Nadar como um violino

"O ator colocado diante do público é como o violinista virtuoso
                      que não olha mais os próprios dedos
          e muito menos controla o arco enquanto toca."

                                                                                         Manual Mínimo do Ator - Dario Fo



 Escrito por Laerte Késsimos às 22h22
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Os 120 dias

São Paulo, quinta-feira, 11 de maio de 2006

CONTARDO CALLIGARIS

"Os 120 Dias de Sodoma"

No fim de semana passado, no Espaço dos Satyros, em São Paulo, estreou a peça "Os 120 Dias de Sodoma".
O texto e a direção são de Rodolfo García Vazquez, que conseguiu milagrosamente "adaptar" (digamos assim) a obra que o marquês de Sade escreveu em 1785, enquanto estava preso na Bastilha.
A história é conhecida: durante 120 dias, quatro libertinos se fecham num castelo com meninas e meninos, que foram raptados para servirem de objetos de deboche -sem limites: os libertinos são suficientemente poderosos para que a Justiça dos homens não os atinja e eles não reconhecem a de Deus.
Dependendo do leitor, os escritos de Sade podem parecer indigestos ou estimular fantasias sexuais, mas, de qualquer forma, eles constituem uma peça chave do quebra-cabeça moderno. Usando uma expressão famosa de Georg Lukacs, Sade é talvez a "máxima consciência possível" da modernidade incipiente.
Quando o mundo começa a sonhar com uma sociedade de iguais e a querer realizá-la, Sade produz uma obra monumental, em que revela que a vontade e o exercício do poder são ou se tornaram escabrosamente eróticos. Como ele mesmo disse, não basta sacudir os alicerces do antigo regime: para sermos revolucionários, vamos precisar de mais um esforço.
O poder parou de ser o atributo exclusivo de algumas castas, mas ainda não é a hora de festejar a invenção da liberdade: a paixão de dominar se alastra por nossa vida de duas maneiras.
A primeira foi o objeto da reflexão de Michel Foucault: na modernidade, as expressões clássicas do poder, autoritárias e diretas, são substituídas por formas capilares de controle. Por exemplo, ao longo do século 19, a medicina se encarregou de regulamentar e reprimir práticas sexuais que a lei não proibia mais.
A segunda é a descoberta de Sade: o poder assombra a fantasia erótica moderna. Eis como a coisa funciona, esquematicamente. Um sujeito se define pela rede de relações que lhe atribui um lugar no mundo. Na modernidade, as relações que mais importam não são as hierarquias sociais estabelecidas: o sujeito se relaciona, antes de mais nada, por amor e por paixão, ou seja, por livre escolha. A conseqüência disso não é um mundo em que o amor e a paixão substituiriam a vontade de dominar. Ao contrário: o amor se torna um teatro do poder e a paixão encontra no domínio ou na submissão um extraordinário recurso para a excitação sexual. Reciprocamente, o exercício do poder é contaminado por modalidades de prazer e de gozo aprendidas na cama, ou seja, por um erotismo violento, sombrio e, em geral, envergonhado.
Na saída da peça, tocado e mexido, sentei-me para pensar um pouco, na frente do teatro, na praça Roosevelt.
Um jovem, moreno e de cabelos pintados de loiro, com sua caixa de madeira a tiracolo, insistiu bastante: "Deixe engraxar, moço". Não se contentava com uma esmola, queria fazer seu trabalho. Um homem do antigo regime teria achado normal que alguém se ajoelhasse para lustrar seus sapatos.
Eu (e não sou o único), por ser moderno, detesto ficar sentado na mesa de um bar enquanto alguém lustra meus sapatos. Depois de assistir à peça, a coisa parecia mais que detestável: obscena. O que acabava de acontecer no palco continuava na rua: eu deveria "gozar" de um privilégio, deixando que alguém "se ajoelhasse" ou "se acocorasse" aos meus pés.
Na sessão de sábado passado, no meio da peça, o próprio García Vazquez congelou a ação para expulsar um espectador que estava tirando fotos às escondidas. O episódio deveria ser repetido a cada vez, como parte da peça. Ele salientaria a extrema coragem do elenco, que se dispõe a ser vítima dos olhares cobiçosos dos espectadores. A intenção do fotógrafo, provavelmente, não era guardar a lembrança da bunda dos atores, mas capturar as vítimas e levá-las para casa (por isso fotografar é proibido em muitas culturas, por ser um ato de captura).
No fim da peça, a vontade de aplaudir é grande, mas aplaudir é difícil, pois uma disposição cênica (que o espectador descobrirá) dirige as ovações aos libertinos e a suas "façanhas".
Alguns (muitos) verão na peça um comentário sobre os tempos que estamos vivendo no Brasil. Aqui, duas observações. 1) Os textos que parecem falar mais diretamente de nossa conjuntura são do próprio Sade ou de La Boétie (século 16). 2) O ministro Durcet não é Zé Dirceu, e o castelo dos 120 dias não é a casa brasiliense da república de Ribeirão Preto. Os libertinos de Sade praticam o mal com a louca grandiosidade de quem quer desafiar Deus, caso ele exista. Comparados com eles, nossos "libertinos" da hora são pequenos "filisteus".
Pasolini, em 1975, levou "Os 120 Dias" para o cinema e filmou "Salò". Ele quis revelar, assim, a erótica assassina do fascismo, que, na Itália dos anos 70, tentava voltar ao poder. Mas o que faz a grandeza dessa obra de Pasolini é a coragem com a qual ele interroga, pelo filme, seus próprios demônios internos e, portanto, os nossos.
Sade é um autor para pessoas honestas, honestas consigo mesmas. Era o caso de Pasolini e é o caso da trupe dos Satyros.



 Escrito por Laerte Késsimos às 22h17
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por ai...

a gente quer sempre um monte de coisas...
e sempre
uma mais que todas.



 Escrito por Laerte Késsimos às 11h55
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Comenta mais!

Se você é amigo, e vem sempre por aqui
deixe sempre seu comentário!
Vai ser um prazer trocar uma idéia por aqui com você.



 Escrito por Laerte Késsimos às 01h45
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ESSA É DO TUTTY VASQUES

Peguei essa no Blog da Ivana Arruda Leite. O link ai do lado.

Entreouvido nas ante-salas do Palácio do Planalto: “Ficar sem comer é mole. Quero ver parar de beber!”

Olha, 
Eu tenho vergonha de ser brasileira.
Eu tenho vergonha de ser corintiana.
Se eu fosse carioca, eu estaria morta de vergonha.



 Escrito por Laerte Késsimos às 01h41
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