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Coisinhas duras e secas
Um gole de café, pra acordar de vez. Preferia tomar chimarão... aqui em casa não tem. Contente com o café. Que tem. Que ta aqui. Achei que tinha alguma coisa pra dizer. Me sentei. Pensei, pensei...
Você já reparou quantas coisinhas estranhas a gente guarda com a gente? Estava revirando minhas coisas e achei um coquinho do mato em forma de pingo d'agua achado perto do rio que tenho desde muleque . E uma aliança de uma ex-namorada distante - lá das Minas Gerais, lá do tempo em que passarinho ainda não bebia água ardente - com o nome dela gravado e uma frase. Que significado tinham aqueles objetos? Qual o sentido de traze-los comigo. Para reencontra-los hoje. Dia após dia, casa após casa, faxina após faxina. E eles dois lá. Fiquei olhando os olhos do gato gael sobre o monitor do computador. Ele olhando pra mim. Como se soubesse a resposta. Não ia me dizer. Claro que não. Ele só queria dormir quentinho no meio das minhas pernas embaixo do cobertor. Olhei mais um instante pra ele. Ele desviou o olhar. Olhar de esfinge assutada. Fique você ai com seus enigmas. Não tenho nada com isso.
Mais uma olhada nas bugingangas. Duras. Secas. Escarças de lembranças. Lembro do dia em que encontrei o coquinho. Mas não vem ao caso. Não era isso. Lembro do dia em que beijei a namorada. O dia em que terminamos o quiprocuo. Mas nada disso tem importancia. Não traria essas coisinhas comigo até hoje por isso. Talvez não tivesse mesmo uma resposta. Talvez eu pudesse joga-los fora agora mesmo. Apagar esse texto e esquecer essa história. Talvez não.
Peguei novamente as duas coisinhas. Olhei. Olhei. Olhei. Nada. Pra lembrar de uma história? Pro caso de perder a memôria? Pensei em outros mil motivos piegas demais pra escrever aqui. Não podia ser. Olhei novamente pro gato gael que já dormia feliz sobre o monitor quentinho. Melhor ouvir o que o gato diz. Ele sabe das coisas. Você já reparou quantas coisinhas estranhas a gente guarda com a gente? Achei que tinha alguma coisa pra dizer.
Obs 1.: Pensei em tirar uma foto e colocar aqui, mas achei melhor não. Sei lá. Preferi mante-los a salvo. Pra mostrar pra quem eu quizer. Obs 2.: O coquinho cheira a infância. E o anel cheia a amor. Seja lá o que for amor. Infância eu sei o que é.
Mais um bordado do Leonilson
 Das estrelas e de seus olhos sem data costura de renda, feltro e veludo sobre lona 37,0 x 44,0 cm
Escrito por Laerte Késsimos às 08h51
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Finais de semana no interior...
MULHER RENDEIRA - Autor: Zé do Norte

Leonilson Ninguém/1992 bordado sobre algodão (fronha)
Olé, Mulher Rendeira, Olé mulhé rendá Tu me ensina a fazer renda, eu te ensino a namorá.
Olé, Mulher Rendeira, Olé mulhé rendá, Tu me ensina a fazer renda, Eu te ensino a namorá.
Olé, Mulher Rendeira, Olé mulhé rendá, Saudade levo comigo, Soluço vai no emborná.
Olé, Mulher Rendeira, Olé mulhé rendá,
Se você tá me querendo, Vamo pra Igreja, vamo casá.
Olé, Mulher Rendeira, Olé mulhé rendá, E depois de nóis casado, Vou pra roça, vou prantá.
Olé, Mulher Rendeira, Olé mulhé rendá, Tu me ensina a fazer renda,
Eu te ensino a namorá.
Olé, Mulher Rendeira, Olé mulhé rendá.
Escrito por Laerte Késsimos às 13h02
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