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Ela sumiu...
Um texto que escrevi pro meu blog o ano passado. ______________________________________________________________________________________________
AMIGA SECRETA
Quando eu cheguei lá, ela estava sentada. Linda como sempre, com os olhos um pouco opacos mas linda. Me fez um sinal me chamando para ir até a mesa dela.
- Posso te fazer um convite? - Claro. - Mas você não pode contar pra ninguém. - Ok! Mas eu também não preciso aceitar né? - Não, só aceite se você quiser.
Um breve momento de suspense.
- Você gosta de bananas? - Gosto! - Se eu te convidar pra subir e comer uma banana comigo você vai? - Claro!
Saímos e ela ligou pra um delivery pediu um filé de frango com fritas e salada. Entramos no prédio, eu abri a porta do elevador para ela. Subimos até o quinto andar onde ela mora e entramos em seu humilde apartamento.
- Bem vindo ao meu cantinho.
Ela sorri leve, alegre, mas sempre com aqueles olhos opacos.
- Senta.
Sento-me em sua cama.
- Vou pegar as bananas.
Ela abre o armário e tira um lindo cacho de bananas, senta-se e começa a descascar uma banana. Na tv passa um filme de aventura sobre piratas. Eu vou até a janela ver a vista e respirar um pouco. O ambiente ficou denso, nebuloso.
- Daqui dá pra ouvir o som da peça começando lá em baixo. - Eu sempre ouço aquela música do começo da sua peça. - Legal.
Toca o interfone.
- Deve ser a entrega do lanche, vou buscar.
Eu observo aquele lugar, não parece um lugar para se estar, parece um lugar de passagem. Ela volta com a entrega.
- Estou morrendo de fome. - Vamos comer as bananas? - Vamos! Mas olha, não repara se eu ficar estranha depois que comer uma banana. - Estanha? Estranha como? - Há, estranha. Estranho é estranho. - Tudo bem.
Comemos. Um silêncio.
- Não vai comer seu lanche? - Não tenho fome. - Mas você mal tocou no lanche.
O som da campainha do meu telefone toca alto rompendo o silêncio.
- Alô? Oi fulana! você não vai sair mais então... ah tudo bem, a gente sai outro dia não tem problema não, fica tranqüila então um beijo, tchau.
- Quem era? - Uma amiga que ia sair comigo hoje. - Um amiga? - Uma pessoa que eu to gostando sabe? - Sua namorada? - Não! Mas eu bem que queria namorar ela. - Eu to namorando. - Aé? Quem? - Um cara ai...
Uma guerra com canhões na tv. Piratas lutando para dominar um navio, o capitão do grupo dos “mocinhos” é uma mulher. Minha amiga abaixa a cabeça e começa a chorar.
- O que foi? - Nada. Você gosta desses filmes? - Não, não vejo esse tipo de filme geralmente. O que aconteceu? - Nada. - Vem cá, me da um abraço.
Durante um pequeno momento estranhamente longo ela chora copiosamente no meu ombro. Não diz nada. Para de chora de repente, sorri. Dá uma gargalhada.
- Ta tudo bem? - Ta! - Preciso ir embora. Tudo bem? É que eu estava só de passagem.
- Você me leva até a porta? - Levo.
Ela se levanta da cama, e me conduz até a saída do apartamento. Para de frente pra mim, me olha docemente, triste.
- Obrigado pela sua companhia. Foi ótimo. - Imagina, sempre que quiser pode me chamar.
Ela afirma que sim com a cabeça, abre a porta, e eu saio.
Escrito por Laerte Késsimos às 11h10
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