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Olívio - Segunda
"Pensou em ligar para a firma e dizer que não se sentia bem. Ficaria em casa. Esfregaria as próprias cuecas. Formaria seus próprios calos. E assistiria a todos os filmes e novelas da tarde. Escutaria todos os ecos do apartamento, o dia inteiro. As crianças indo e vindo. Os maridos indo e voltando. O barulho dos pratos, o cheiro dos almoços. Ele não faria parte do dia de ninguém. Faria parte do seu próprio tempo. Não abriria a porta nem sairia de casa. Não atenderia o telefone nem cumpriria horário. Dormiria. Acordaria. Comeria quando tivesse fome. Beberia quando tivesse sede. Mas a preguiça era maior do que as desculpas. E a culpa seria maior que a preguiça. O que não fizesse na segunda, se acumularia para terça. Se amontoaria sobre o seu fim de semana, e seria uma pilha de roupas sujas para lavar. Melhor uma peça de cada vez, pensou. Se vencesse a segunda, a terça seria mais suave, com a quarta para dividir a semana, quinta para dar esperanças e sexta para concluir. Logo seria sábado novamente. E logo seria domingo. Logo seria domingo de noite, e seria uma nova segunda para vencer. Não adiantava fugir. Não adiantava se esconder. Eletinha deveres a cumprir. Olívio deixou a trouxa em casa e foi para o trabalho."
Trecho de "Olívio" - Santiago Nazarian Editora Talento
Escrito por Laerte Késsimos às 09h17
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