Loading...
As Pessoas Estão Ficando Secas?

Eu adoro histórias. Emociono-me com elas. Gosto de me emocionar. Choro. Vivo.
Vou muito ao cinema, teatro, e etc (etc?!). Gosto de ouvir, ver, ler histórias. Talvez por isso eu seja ator, por gostar tanto de histórias...
Geralmente as histórias que eu gosto mais, são as que me deixam emocionado. Que podem me fazer chorar, ou rir também, mas acho que uma história só pode me fazer chorar ou rir de verdade, quando me toca de alguma forma.
Nos cinemas, teatros e etc (meus deus, de novo esse “etc”?!) quando estou vendo um filme ou uma peça, eu gosto de prestar um pouco da minha atenção, para as outras pessoas que assistem junto comigo, uma história qualquer. Quase sempre que vejo um filme ou uma peça que me emociona, quando eu estou lá desprotegido o escuro, com minha subjetividade, entre minhas lágrimas, ou quando me pego chorando ao fim de algum filme ou peça, dou uma olhadela ao lado pra ver se meus companheiros compartilham também de minhas lágrimas, ou de emoção parecida. Surpreendo-me com o que vejo, quase que constantemente: Ninguém ou quase ninguém (poucos), parece ter sido tocado pela história. Das duas uma: Ou eu sou um sentimentalóide babaca que chora por qualquer coisa, ou, as pessoas estão ficando secas.
Penso, repenso, penso e desisto.
Talvez a beleza (tristeza) dessas histórias das telas e dos palcos e etc, esteja seca, ou talvez a tristeza (beleza) do mundo esteja secando as pessoas, que não tem mais lágrimas para histórias de tela e de palco e de etc. Vemos tanta tristeza (beleza) todos os dias. Jornal, tv, bomba, bush, rola, gira, fura, derrete o clima, morrem meninas... Todos os dias. Acho que talvez por isso as pessoas estejam ficando secas, de tanto chorar as histórias do mundo.
Se tornando secas de sentimento, tornadas insensíveis por um mundo áspero, asfixiante. Uma cidade dura como os músculos dos que malham em busca de uma corpo (alma) que lhe sirva pra caber no mundo.
Quantos “nãos” você deu hoje pra pessoas que lhe pediram dinheiro ou lhe ofereceram algo na rua? Quantas noticias sobre mortes, guerras, atentados, fome, miséria, doenças, corrupção, padres pedófilos, jovens neo-nazistas e música ruim você leu, ouviu ou viu ontem? Passou por cima de algum mendigo caído na sua calçada? Meninos no sinal de trânsito? Pastores extorquindo na sua igreja? Um minhocão na janela do teu apartamento?
Talvez seja isto, nos rostos de paisagens brutas que vejo ao meu redor, nas salas escuras em que entro pra ouvir histórias, uma platéia (terra) anestesiada pelo mundo.
Só espero que essa anestesia passe logo, e que eu demore para me dessensibilizar, porque ainda gosto muito de histórias.
Escrito por Laerte Késsimos às 02h05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Loading...
Pessoal,
Até o dia 15 de dezembro, os internautas da Istoé Gente Online escolherão os melhores de 2005. Serão escolhidos os melhores nas categorias Cinema, Exposição, Música, Livros, Teatro e Televisão. A Companhia Os Satyros está concorrendo com dois espetáculos: "A Vida na Praça Roosevelt" e "Cosmogonia - Experimento Nº 1". Esse prêmio também será escolhido pelo voto popular. Para votar, entre no site www.istoegente.com.br, acesse a seção "ENQUETE" que está no meio da página, ao lado direito. Escolha a categoria TEATRO, selecione o nome de uma das peças ("A Vida na Praça Roosevelt, de Dea Loher, direção Rodolfo Vázquez" ou "Cosmogonia – Experimento nº 1, de Hesíodo, direção Rodolfo Garcia Vazquez") e clique em VOTAR no fim da página. E se você ainda não viu algum dos dois espetáculos (ou os 2), informamos que "Cosmogonia - Experimento Nº 1" está em cartaz quintas e sextas às 21h30 (até o dia 16/12) e "A Vida na Praça Roosevelt" está sábados às 21h00 e domingos às 20h30 (até o dia 18/12). Aguardamos seu voto e sua presença no espetáculo.
Escrito por Laerte Késsimos às 00h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Loading...
Presságio
Fernando Pessoa [607] O AMOR, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar p'ra ela, Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há de dizer. Fala: parece que mente... Cala: parece esquecer... Ah, mas se ela adivinhasse, Se pudesse ouvir o olhar, E se um olhar lhe bastasse P'ra saber que a estão a amar! Mas quem sente muito, cala; Quem quer dizer quanto sente Fica sem alma nem fala, Fica só, inteiramente! Mas se isto puder contar-lhe O que não lhe ouso contar, Já não terei que falar-lhe Porque lhe estou a falar...
Escrito por Laerte Késsimos às 00h10
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Loading...
Poema idiota romântico de um desabado de uma noite de verão um ano depois

Um ano é pouco tempo, mas muitas coisas acontecem em uma ano.
Você passou rápido como uma onde e me derrubou e me levou.
Como uma estrela que cai e me encantou.
Como um passaro que voa nas nuvens, você me levou nesse vôo e depois me soltou.
Como uma sereia você me levou no fundo do mar me dando ar com seus beijos e depois me deixou.
Não existe outro passado. Nem presente agora. E um futuro?
Você foi como a lua cheia, o cheiro das damas da noite, a sombra do luar.
Nesses dias que se passaram de pois de ti, tateio como um cego perdido.
Você foi minha luz, meu chão, minha visão.
Agora já não posso mais.
Nem você.
Agora o que restou não pode ser o que passou,
E o que existe já não é real.
Passei dias, e anos, e anos, e anos, e anos perdido. Dentro de mim.
Procurando insistentemente o que havia sido arrancado.
Ou talvez nunca tenha estado lá.
As nossas escolhas nem sempre são as mais fáceis.
Mas temos sempre que escolher...
Pra mim muitas coisas restaram pra se dizer.
Muitos beijos não foram dados.
Muitos toques...
Já não sou mais o mesmo e nem você,
Não somos mais o que éramos na primavera passada.
Escrito por Laerte Késsimos às 13h08
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|